Não há ilusão que sempre dure, chega sempre o dia em que despertamos!
Talvez porque nos cansemos de viver para agradar, em troca de reconhecimento, de alguma afeição.
Afrouxa-se as emoções, boicota-se a própria essência, altera-se a luz natural por iluminações artificiais, concebem-se projectos fantásticos para chegar ao coração de quem quer que seja…mas a verdade é que cansa, cansa só de afigurar.
E a verdade é que é inútil e perigoso! É inútil porque dói, mesmo que em breves momentos elevem o nosso ego e é perigo porque exige um esforço para mantermos os malabarismos emocionais para não trairmos as personagens por nós criadas. É exaustivo tentar ser o que não se é.
Mas afinal, o que procuram essas criaturas que pretendemos que nos amem? Procuram por nós, pessoa individual e única ou pelas pessoas que exercitamos parecer? Por nós ou pelas pessoas que pretendem que sejamos? Se não for por nós, não têm interesse algum…Se não for por nós, não é de verdade!
Mas é bom que saibamos admitir que se nos desiludimos é porque alimentamos a ilusão. E se no início sentimos que fomos iludidos, enganados, atraiçoados, analisando bem imparcialmente todos os factos e ocorrências, talvez reconheçamos que nos iludimos a nós próprios, criando uma fantasia daquilo que seria adequado para nós.
Quando se tratar de relacionamentos amorosos, este não se mantém sólido sem uma base composta de sentimentos, de valores inquestionáveis (como o amor, a afectuosidade), do respeito mútuo, da honestidade…mas a harmonia também passa pelas qualidades reais, próprias e autênticas de cada indivíduo, com uma favorável quantidade de racionalidade, embora há quem acredite que racionalidade não se ajusta com a emoção.
Mas como ouvi recentemente: “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe.”
Natacha Paiva


