sexta-feira, 21 de outubro de 2011

IN.lusões




Não há ilusão que sempre dure, chega sempre o dia em que despertamos!
Talvez porque nos cansemos de viver para agradar, em troca de reconhecimento, de alguma afeição.
Afrouxa-se as emoções, boicota-se a própria essência, altera-se a luz natural por iluminações artificiais, concebem-se projectos fantásticos para chegar ao coração de quem quer que seja…mas a verdade é que cansa, cansa só de afigurar.
E a verdade é que é inútil e perigoso! É inútil porque dói, mesmo que em breves momentos elevem o nosso ego e é perigo porque exige um esforço para mantermos os malabarismos emocionais para não trairmos as personagens por nós criadas. É exaustivo tentar ser o que não se é.
Mas afinal, o que procuram essas criaturas que pretendemos que nos amem? Procuram por nós, pessoa individual e única ou pelas pessoas que exercitamos parecer? Por nós ou pelas pessoas que pretendem que sejamos? Se não for por nós, não têm interesse algum…Se não for por nós, não é de verdade!
Mas é bom que saibamos admitir que se nos desiludimos é porque alimentamos a ilusão. E se no início sentimos que fomos iludidos, enganados, atraiçoados, analisando bem imparcialmente todos os factos e ocorrências, talvez reconheçamos que nos iludimos a nós próprios, criando uma fantasia daquilo que seria adequado para nós.
Quando se tratar de relacionamentos amorosos, este não se mantém sólido sem uma base composta de sentimentos, de valores inquestionáveis (como o amor, a afectuosidade), do respeito mútuo, da honestidade…mas a harmonia também passa pelas qualidades reais, próprias e autênticas de cada indivíduo, com uma favorável quantidade de racionalidade, embora há quem acredite que racionalidade não se ajusta com a emoção.
Mas como ouvi recentemente: “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe.”

Natacha Paiva

segunda-feira, 17 de outubro de 2011




Ultimamente, o meu lado de pseudo-escritora não tem tido coragem.
Diria que sou mais que uma simples observadora do tempo. Alguém com ambições contra tudo o que seja solidão; menina-mulher com devaneios, com manias de que para tudo existe uma explicação e solução, com interesse não só pelo importante, mas para as luzes, os ritmos, os cheiros, as texturas…interessa-me as pessoas, interessa observar a Vida. Mas existem dias…e dias.
Os dias vêem, os dias vão e não voltam! Porventura seria benéfico que os dias bons se voltassem a repetir e que os menos bons simplesmente se ocultassem…ou talvez não.
Também as dúvidas são como os dias… aparecem sem que se dê conta, ficam, vão …faz parte viver com interrogações, nada é linear… faz parte as tão e sempre existentes dúvidas e escolhas.
Talvez o complicado nas escolhas seja ansiarmos demasiado do que nada nos tem para oferecer e desaproveitarmos o que pode, irreversivelmente, alterar a nossa vida.
É como termos a nossa frente uma vela e uma chave e escolher a vela com o desejo e a ansiedade de ver tudo o que está por trás da porta, mas sem a chave nunca a poderemos abrir!
 E escolhemos a vela ao invés da chave porquê? Talvez os medos e dúvidas do que está para lá da porta; talvez porque com a luz da vela sejamos capazes de ver com mais clareza o que está depois…
E se a vela não for necessária? Se para lá da porta estiver um lugar repleto de luz?
A dúvida e o medo de entrar pela porta são maiores do que pegar na vela…quiçá o medo de encontrar labirintos ou muros gretados, mas a vida é muito mais do que aquilo que desejamos…
É tentar, é arriscar, é por acaso ou engenho, depois de muitos enganos descobrir a porta dos labirintos e ter a liberdade de traçar os próprios labirintos e decidir o caminho. E mais tarde quando se passar as mãos pelos muros gretados, com enumeras texturas diferentes, dar-se conta que esses muros simbolizam as suas escolhas, as suas vivências.
 Significa que viveu! Esses muros gretados fazem de cada um aquilo que é, é o que basta para cada um, e sentir o que é seu …até porque muros lisos não têm piada nenhuma!

Natacha Paiva

domingo, 9 de outubro de 2011

Sometimes é as vezes...



Decididamente, viver é balançar entre a razão e a emoção.
Dois conceitos que raramente andam juntos, sendo que por vezes, é fundamental abdicar-se de um para se usufruir do outro e assim viver…
Mas então, como saber qual o instante apropriado para se dedicar somente à razão...ou somente à emoção?
Ainda não achei resposta! No entanto, gosto de acreditar que algures encontrei um pequeno atalho. Um atalho que se baseia em ser fiel a mim própria, em prol da minha felicidade…e felicidade não é assim tão fácil de se adquirir.
Existem momentos em que temos de abrir mão e aceitar deliberações que em nada condizem com os nossos desejos, no entanto, a beleza de viver também está no ousar, no arriscar… acreditar em nós mesmos e nas nossas ideias, escolhas, actos, razões e emoções!
As decisões são tão pessoais como as interpretações que fazem delas e não espero estar sempre correcta. Não espero conhecer o caminho certo, pois o “certo” já nos torna inseguros e inquietos quanto as escolhas a serem tomadas.
É inevitável poder contrariar e ser contrariado, ser contra-maré. A vida é como uma balança, e há que tentar manter o equilíbrio ou então viver racionalmente ou emocionalmente, cabe a cada um descobrir o seu atalho.
E às vezes só temos que dizer, fazer e ser o que quisermos, só não podemos impedir os outros de ter o mesmo direito que nós.

Natacha Paiva

sábado, 8 de outubro de 2011

Metamorfoses do Eu



Suponho e anseio não ser um planeamento de uma curta e infeliz vida, e sim acreditar que aquilo em que me vou tornando não é um mero acaso do destino.
Sou a matéria bruta em processo de aperfeiçoamento sem a ilusão de chegar á perfeição.
Sou um simples “eu”, com as suas complexidades, um nada sendo um tudo.
Não sou apenas um conjunto de ossos e de carne…sou um conjunto formado pelas lembranças, pelos momentos, pelos sorrisos e choros… uma essência, um cheiro, um motivo, uma razão!
Sou uma fracção pequena do Universo, cujos actos do presente tomarão as rédeas do futuro…continuando dona do meu ser, capitã de mim mesma, arquitecta dos meus sonhos, psicóloga da minha alma, sentindo a vida á minha maneira.
Entre aquilo que já fui, aquilo que sou e aquilo que irei ser, prefiro ser aquilo que sou. O que fui acabou e, o que irei ser encontra-se no incógnito, no incompreendido…!
 Limito-me apenas a ser e a compreender que ainda não sou nada sendo razoavelmente tudo o que posso ser!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Hoje !

Hoje é um novo dia, quase no fim, diga-se de passagem, mas um novo dia!
Hoje é o dia depois de ontem e o dia anterior ao de amanhã (esperemos). O dia em que resolvi escrever…e amanhã talvez continue a fazê-lo ou talvez não...mas o importante é hoje!
Vou partilhar os meus pensamentos, as minhas opiniões, o que me faz sonhar, o que não me faz conter as lágrimas, o que abomino e admiro, problemas, soluções, idiotices…enfim, já era tempo, ouvi dizer, de ter um blog próprio. No entanto, confesso que ainda não pensei muito no assunto, espero sim, que a medida que continue tudo seja mais fácil. E é assim que começam as aventuras novas, não se sabe como, nem porquê de começarem, nem tão pouco a sua duração ou se iremos levá-las até ao fim ou não, começam-se e pronto!
Por agora, deixo um beijinho especial para três pessoas (C.L, H.C, E.C) que me fizeram encontrar razão para começar e para aquele que tem sido o meu porto de abrigo desde algum tempo (A.C) e anseio que a inspiração me surge a cada momento que passa.
Porque hoje..hoje é um novo dia!