segunda-feira, 17 de outubro de 2011




Ultimamente, o meu lado de pseudo-escritora não tem tido coragem.
Diria que sou mais que uma simples observadora do tempo. Alguém com ambições contra tudo o que seja solidão; menina-mulher com devaneios, com manias de que para tudo existe uma explicação e solução, com interesse não só pelo importante, mas para as luzes, os ritmos, os cheiros, as texturas…interessa-me as pessoas, interessa observar a Vida. Mas existem dias…e dias.
Os dias vêem, os dias vão e não voltam! Porventura seria benéfico que os dias bons se voltassem a repetir e que os menos bons simplesmente se ocultassem…ou talvez não.
Também as dúvidas são como os dias… aparecem sem que se dê conta, ficam, vão …faz parte viver com interrogações, nada é linear… faz parte as tão e sempre existentes dúvidas e escolhas.
Talvez o complicado nas escolhas seja ansiarmos demasiado do que nada nos tem para oferecer e desaproveitarmos o que pode, irreversivelmente, alterar a nossa vida.
É como termos a nossa frente uma vela e uma chave e escolher a vela com o desejo e a ansiedade de ver tudo o que está por trás da porta, mas sem a chave nunca a poderemos abrir!
 E escolhemos a vela ao invés da chave porquê? Talvez os medos e dúvidas do que está para lá da porta; talvez porque com a luz da vela sejamos capazes de ver com mais clareza o que está depois…
E se a vela não for necessária? Se para lá da porta estiver um lugar repleto de luz?
A dúvida e o medo de entrar pela porta são maiores do que pegar na vela…quiçá o medo de encontrar labirintos ou muros gretados, mas a vida é muito mais do que aquilo que desejamos…
É tentar, é arriscar, é por acaso ou engenho, depois de muitos enganos descobrir a porta dos labirintos e ter a liberdade de traçar os próprios labirintos e decidir o caminho. E mais tarde quando se passar as mãos pelos muros gretados, com enumeras texturas diferentes, dar-se conta que esses muros simbolizam as suas escolhas, as suas vivências.
 Significa que viveu! Esses muros gretados fazem de cada um aquilo que é, é o que basta para cada um, e sentir o que é seu …até porque muros lisos não têm piada nenhuma!

Natacha Paiva

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